A historicidade dos modos de sofrer: crítica historiográfica, literatura e clínica fenomenológico-existencial. / The historicity of modes of suffering: historiographical critique, literature, and phenomenological-existential clinical practice

Eduardo Leocadio Teixeira

Resumen


Resumo

Este artigo investiga a relevância da história das mentalidades, da crítica historiográfica à evidência, da literatura e da clínica fenomenológico-existencial para a compreensão contemporânea do sofrimento humano. A partir da ruptura epistemológica promovida pela Escola dos Annales em relação ao modelo positivista, discute-se como a historicidade das formas de sentir, pensar e existir possibilita compreender o sofrimento para além de perspectivas universalizantes ou estritamente individualizantes. Argumenta-se que experiências humanas não podem ser reduzidas a categorias abstratas, pois emergem em configurações históricas específicas. Nesse contexto, a obra de Ana Maria Feijoo destaca-se ao reposicionar a clínica como espaço de escuta da existência em sua singularidade histórica. A literatura é abordada como campo privilegiado de acesso às tonalidades da experiência humana. Por fim, o artigo analisa o impacto da era digital na constituição de novas formas de sofrimento, ressaltando a necessidade de uma escuta clínica historicamente situada.

Abstract

This article examines the relevance of the history of mentalities, historiographical critique of evidence, literature, and phenomenological-existential clinical practice for understanding contemporary human suffering. Drawing on the epistemological rupture of the Annales School, it argues that experiences such as suffering and suicide must be understood within historically constituted frameworks rather than as universal or purely individual phenomena. The analysis shows that human experiences emerge within specific social, symbolic, and historical configurations. Within this perspective, Ana Maria Feijoo’s work is highlighted for repositioning clinical practice as a space for rigorous listening to existence in its historical singularity. Literature is approached as a field that preserves dimensions of experience often exceeding technical discourse. Finally, the article reflects on the impact of the digital era—marked by social networks and hyperexposure—on new forms of suffering, emphasizing the need for historically situated clinical understanding.

 

Palabras clave


História das mentalidades; sofrimento; clínica fenomenológico-existencial; historicidade; literatura; History of mentalities; suffering; phenomenological-existential clinic; historicity; literature

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